Parlamentar bolsonarista acionou TRF1 sob a justificativa de que a nomeação do advogado pessoal do presidente violaria os princípios da moralidade e impessoalidade

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) protocolou, nesta quinta-feira uma ação popular no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) contra a indicação do advogado Cristiano Zanin ao Supremo Tribunal Federal (STF) formalizada pelo presidente Lula (PT). O apoiador de Jair Bolsonaro (PL) alega que a nomeação do advogado pessoal do presidente na Corte violaria os princípios da moralidade e impessoalidade.

Nas redes sociais, o parlamentar afirmou: "Lula quer aparelhar o STF, mas não aceitaremos".

Nesta quinta-feira, Lula formalizou a indicação de Zanin ao STF, provocando uma série de críticas entre a oposição. Responsável pela defesa do presidente na Lava-Jato, o especialista em direito criminal ganhou notoriedade por ter feito o pedido de habeas corpus no STF que resultou na anulação das condenações de Lula.

Depois da indicação, ex-integrantes da Operação Lava-Jato vão às redes criticar. O ex-juiz da Lava-Jato e senador Sergio Moro (União-PR) foi afirmou que a nomeação de "advogado e amigo pessoal" à vaga aberta com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski "fere o espírito republicano".

O ex-procurador federal Deltan Dallagnol (Podemos-PR), que teve o mandato cassado por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no mês passado, chamou a indicação de Zanin de "República do Escambo", referência ao fato do advogado ter atuado em favor de Lula nos processos da Lava-Jato. Deltan foi o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba entre 2014 e 2020.

Quem é Cristiano Zanin?

Natural de Piracicaba, no interior de São Paulo, Zanin e sua esposa, Valeska Teixeira Zanin Martins, atuam na defesa de Lula desde 2013 e respondem pelo presidente em todos os processos criminais contra ele.

Segundo levantamento feito pelo blog da colunista Malu Gaspar, 88 dos 135 processos de Zanin no tribunal são dedicados à defesa de Lula e da família do presidente, principalmente na Lava-Jato – 65,1% dos casos, todos iniciados a partir de 2015. Desses, 81 são relacionados só a Lula. Em outros 7, os clientes são os filhos, Fábio Luís e Luís Cláudio, e a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em 2017.

Após a operação Lava-Jato, o advogado fez a representação jurídica da campanha eleitoral do petista no ano passado e participou da transição do governo, quando ficou responsável pela área de "cooperação jurídica internacional".


Fonte: O GLOBO