Presidente chinês desembarcou em Moscou na segunda, em sua primeira visita ao país vizinho desde a eclosão de conflito com Kiev há 13 meses; Xi convidou Putin a visitar China

O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou nesta terça-feira que China e Rússia são "grandes potências vizinhas" e "sócias estratégicas", em uma reunião com o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, no segundo dia de visita do presidente chinês a Moscou. Em sua primeira viagem à Rússia desde a eclosão da guerra na Ucrânia, Xi foi recebido com pompa no Kremlin, uma visita que sedimenta a cada vez mais próxima relação entre os aliados.

Os dois líderes também "tiveram uma profunda troca de opiniões sobre a questão da Ucrânia", de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China, que destacou que “a maioria dos países apoia o alívio das tensões”. Xi ainda convidou Putin e o primeiro-ministro russo a visitarem a China, informou a Interfax.

— Ontem, convidei o presidente Putin para visitar a China este ano, quando puder — disse Xi ao primeiro-ministro russo, ressaltando que as relações russo-chinesas continuarão sendo uma "prioridade".

Xi desembarcou no Aeroporto Vnukovo, na região de Moscou, na segunda-feira. Ao longo do primeiro dia de visita, o presidente russo afirmou que estava "aberto a negociações" sobre a Ucrânia e elogiou a proposta de paz de 12 pontos da China, que inclui um apelo ao diálogo e o respeito da soberania territorial de todos os países. Putin também destacou que os dois países têm "vários objetivos em comum" e elogiou a China por sua "posição justa e equilibrada sobre os temas internacionais mais urgentes".

O encontro já estava anunciado quando o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu na última sexta uma ordem de prisão contra Putin por deportações de crianças ucranianas para a Rússia.

As potências ocidentais criticam a postura chinesa sobre a Ucrânia que, consideram, implica um apoio tácito de Pequim à intervenção armada de Moscou. Na segunda, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken, pediu que a comunidade internacional "não se deixe enganar" pela postura da China e acusou o país de "fornecer cobertura diplomática à Rússia".

Já Kiev, que mantém a cautela diante das intenções chinesas, pediu a Xi Jinping que "use sua influência sobre Moscou para acabar com a guerra de agressão". Espera-se que Xi fale com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, pela primeira vez desde a invasão, há mais de um ano, após sua visita à Rússia.

Para os russos, a expectativa é de que a viagem de Xi sirva para aumentar a legitimidade de uma invasão que pôs Moscou na posição de pária no Ocidente, com os Estados Unidos e seus aliados impondo uma enxurrada de sanções à Rússia.

Para Xi, a meta da viagem é se consolidar como um estadista, buscando assumir um espaço de influência antes restrito aos EUA, apresentando-se como uma alternativa viável a Washington — planos impulsionados por sua mediação na reconciliação entre Arábia Saudita e Irã.

Após a reunião com Mishustin nos escritórios do governo, Xi deve ir ao Kremlin para conversas formais com Putin e altos funcionários russos. Ao fim do dia, os dois líderes farão declarações à imprensa antes de um jantar de Estado no Palácio das Facetas, em Moscou.

A viagem acontece no momento em que a Rússia reorienta sua economia para a Ásia, para driblar as sanções ocidentais. Nesta terça, o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, viajou para a Ucrânia para uma visita surpresa. Kishida se encontrará com Zelensky nesta terça-feira.


Fonte: O GLOBO