Taxa ficou abaixo das expectativas de analistas, embora 8,6 milhões de brasileiros procurassem uma vaga no 1º trimestre. Renda média do brasileiro subiu para R$ 3.123

A taxa de desemprego subiu de 7,5% no trimestre encerrado em dezembro para 7,9% em março, puxada pela habitual dispensa de trabalhadores temporários no início do ano. Apesar do aumento, o indicador está em seu menor nível para o período desde 2014, dez anos antes, quando chegou a 7,2%. E a renda subiu, alcançando média de R$ 3.123 no trimestre.

O resultado veio melhor do que o esperado pelos analistas, que projetavam alta de 8,1% para o desemprego no primeiro trimestre, segundo mediana das projeções compiladas pela Bloomberg. Um sinal de que o mercado de trabalho esteve mais aquecido do que estimava o mercado.
  • Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e foram divulgados pelo IBGE nesta terça-feira
  • No trimestre encerrado em dezembro, a taxa ficou em 7,4%
O desemprego cresceu, principalmente, pela saída de 782 mil pessoas do mercado de trabalho. Deste total, 75% (ou 589 mil) estavam ocupados informalmente. No mesmo período, houve um aumento de 542 mil pessoas em busca de ocupação.

Dispensa de temporários na educação básica

Cerca de 320 mil pessoas deixaram seus postos no segmento da administração pública, saúde e educação (ou 1,8% do total ocupado no segmento). Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas Domiciliares do IBGE, essa redução no número de trabalhadores está ligada ao movimento de dispensa dos profissionais sem carteira no setor da educação básica nesta época do ano.

— São trabalhadores da educação, principalmente docentes, que são lotados em prefeituras por meio de contratos temporários. Acaba tendo essa sazonalidade que é o processo de dispensa na virada do ano. E, à medida que se inicia novamente as atividades educacionais e escolares, há uma recontratação desses profissionais — afirma.

Emprego com carteira segue em alta. Renda sobe para R$ 3.123

A queda no contingente de profissionais que atuam com serviços domésticos também contribuiu com o desemprego. Houve uma queda de 2,3% no percentual de ocupados neste setor, uma redução de 141 mil pessoas em relação ao trimestre anterior.

Segundo Adriana, o primeiro trimestre de cada ano é historicamente marcado por perda de trabalhadores. E tudo indica que o avanço do desemprego no período não indica mudança de trajetória no mercado de trabalho:

— A taxa de desemprego ainda registra quedas sucessivas no confronto anual — afirma.

Outro dado que demonstra o ímpeto do mercado de trabalho neste ano é o contingente de trabalhadores formais. O número de trabalhadores com carteira assinada permaneceu estável em 38 milhões de pessoas, maior contingente para esta série histórica.

— A estabilidade do emprego com carteira no setor privado, em um trimestre de redução da ocupação como um todo, é uma sinalização importante de manutenção de ganhos na formalização da população ocupada — analisa a coordenadora.

Uma das consequências da manutenção do emprego com carteira foi que o rendimento médio das pessoas ocupadas chegou a R$ 3.123, com alta de 1,5% no trimestre e de 4% na comparação anual.

Pnad x Caged

A Pnad traz informações sobre trabalhadores formais e informais. A pesquisa é divulgada mensalmente, mas traz informações do trimestre. A coleta de dados é feita em regiões metropolitanas do país.

Outra pesquisa, também divulgada nesta terça-feira, é a do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Esta só traz informações sobre trabalho com carteira assinada, com base no que as empresas informam ao ministério.

O Caged apontou que o primeiro trimestre fechou com criação de 719 mil vagas, alta de 33,9% em relação ao registrado no mesmo período do ano de 2023.

Perspectivas

Analistas avaliam que o mercado de trabalho este ano não terá desempenho tão positivo quanto o do ano passado, quando a taxa atingiu o menor patamar desde 2014. Boa parte dessa expectativa mais branda se dá por conta da desaceleração da atividade econômica. O mercado de trabalho acompanha o ritmo da economia, ainda que com defasagem.

O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) do FGV Ibre subiu 1 ponto em março, para 79,5 pontos, maior nível desde outubro de 2022 (79,8 pontos).

Segundo Rodolpho Tobler, economista do instituto, a sequência de resultados positivos sugere um primeiro semestre favorável para o mercado de trabalho, mas o patamar ainda baixo do indicador e o ritmo de recuperação não deixam imaginar que essa retomada vai ser em ritmo mais forte que do que já vem ocorrendo.


Fonte: O GLOBO