Agora réus, suspeitos foram denunciados por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe e com recurso que dificultou defesa da vítima. Gedeon Barros foi executado a tiros na manhã do dia 20 de maio de 2021, no bairro Santa Inês, no Segundo Distrito de Rio Branco

A defesa de Carmélio da Silva Bezerra, suspeito de mandar matar o ex-prefeito Gedeon Barros, teve mais um pedido de liberdade negado pela Justiça do Acre. Dessa vez, um pedido de habeas corpus foi negado pela Câmara Criminal que considerou que a prisão dele preenche todos os requisitos.

“Não há que se falar em revogação da medida cautelar ou concessão de liberdade provisória, sendo que no caso em análise, é perfeitamente adequada a manutenção da segregação cautelar do Paciente”.

Bezerra é um dos suspeitos presos desde o dia 20 de dezembro após operação da Polícia Civil. Além dele, foi preso Liomar de Jesus Mariano, conhecido como Mazinho Mariano, ex-secretário de esportes do município e candidato a vice na chapa de Barros em 2020. Em 18 de janeiro, a Justiça havia negado o relaxamento da prisão.

Além de questionar a prisão preventiva, a defesa de Bezerra também entrou com pedido de prisão domiciliar em razão da idade e do estado de saúde dele. Em decisão do dia 19 de março, a desembargadora Denise Bonfim, do Tribunal de Justiça do Acre, negou. O g1 não conseguiu contato com a defesa.

“O paciente não faz jus à prisão domiciliar, tendo em vista que não preenche os requisitos necessários para tal benefício, em razão de não ter 80 anos, bem como não ter demonstrado nos autos o seu real estado de saúde”.

Réus

A 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco recebeu denúncia contra sete suspeitos pela morte do ex-prefeito de Plácido de Castro Gedeon Barros e tornou réus por homicídio qualificado. A informação foi confirmada ao g1 no dia 24 de janeiro pela assessoria de comunicação do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC).

Confira abaixo os denunciados no caso e o que é atribuído a cada um deles:

Carmélio da Silva Bezerra e Liomar de Jesus Mariano - apontados como mandantes do crime. Também responderão por coação no curso do processo;
Clebson Rodrigues do Nascimento e Weverton Monteiro Oliveira - apontados como responsáveis pela contratação dos executores;
Antônio Severino de Souza - apontado como responsável por repassar informações sobre Gedeon Barros e contribuir para a emboscada;
João da Silva Cavalcante Junior e Sairo Gonçalvez Petronilio - o primeiro é apontado como condutor da motocicleta utilizada no crime, e o segundo é apontado como autor dos disparos contra Barros. Também responderão por homicídio por motivo torpe e com recurso que dificultou defesa da vítima;

Bezerra e Mariano foram presos em Plácido de Castro, interior do Acre, e na Estrada Transacreana, zona rural de Rio Branco, no dia 20 de dezembro. A operação policial ocorreu em três cidades acreanas. Um terceiro envolvido, que já estava preso, também foi alvo da ação.

No processo, a Justiça destaca que um dos envolvidos fez uma delação premiada e entregou os demais suspeitos do crime. Segundo o delator, 'os mandantes do crime seriam um agiota residente do município de Plácido de Castro e um boliviano, em virtude de uma dívida que a vítima teria com estes'.

Ainda de acordo com o relato do suspeito, Carmélio da Silva Bezerra, vulgo Véio, e Liomar de Jesus Mariano, vulgo Mazinho, que em conformidade com o declarado pelo delator estavam presentes em várias oportunidades durante as reuniões de planejamento do crime'.


Prefeito Gedeon Barros foi morto em 20 de maio de 2021 — Foto: Arquivo pessoal

O delator diz também que a ideia inicial era de que crime parecesse um latrocínio, roubo seguido de morte, para que a polícia não chegasse aos mandantes.

Ao analisar o pedido de soltura para Carmélio Bezerra, o juiz de Direito Danniel Gustavo Bomfim destacou que o 'pedido da "pena restritiva de liberdade" formulado pelo advogado não encontra qualquer lógica nesse momento, eis que se trata de prisão provisória e estando os autos ainda em instrução, não havendo qualquer pena imposta, apesar do que alega o requerente'.

Além disso, o magistrado destaca a gravidade do crime e a garantia de manter a ordem pública.

"Diante desse panorama até então obtido pela investigação, evidente a presença do pressuposto da garantia da ordem pública, pois a motivação acima exposta em que denota-se o alto poder financeiro dos criminosos, por si só, causa insegurança, temor e instabilidade na sociedade visto que o alto grau de premeditação e planejamento do crime em tela demonstra terem os mesmos experiência e influência no cenário criminoso, detendo de meios suficientes a, inclusive, determinar uma tentativa de assassinato dentro de um estabelecimento criminal apenas com o intuito de queimar o arquivo vivo, que é o delator", diz.

Vítima devia dinheiro para ex-secretário de esportes

De acordo com o processo, Gedeon devia R$ 130 mil a Mazinho Mariano, um dos presos pela Polícia Civil. Mazinho era aliado político de Gedeon, tendo, inclusive, disputado as Eleições 2020 como candidato a vice na chapa do ex-prefeito.

O suspeito também atuou como secretário de esporte de Plácido de Castro. Em fevereiro de 2021, três meses antes de Gedeon ser assassinado a tiros em Rio Branco, Mazinho entrou com uma ação monitória na Justiça contra o ex-prefeito e a mulher dele, Maria Lúcia Dias da Silva Barros.

No processo, Mazinho Mariano alegou que o casal devia R$ 102.620,37, decorrentes de negociações relativas à compra e venda de produtos entre eles em 2017 e tendo uma nota promissória entregue para ele como garantia de pagamento.

Mazinho se diz inocente

O advogado Wellington Silva confirmou que Mazinho Mariano e Gedeon eram amigos e ele colaborava com as investigações desde o início. Ainda segundo a defesa, Mazinho apresentou dados bancários, telefônicos e outros solicitados pela polícia ao longo das investigações.

A defesa alega que Mazinho é inocente e chamou a prisão de injusta.

"Inclusive, apresentamos petições pedindo oitivas e depoimentos para que o Mazinho pudesse colaborar no que fosse necessário. Nos disponibilizamos para apresentar o celular dele voluntariamente para que fosse periciado, quebra de sigilo bancário, telefônico, apresentamos tudo. Então, essa prisão é totalmente absurda porque era investigado colaborador. Ele soube que o nome era investigado na imprensa e por conversas no município, então, já me constituiu e começamos a colaborar no inquérito, o delegado anterior tinha uma linha de raciocínio que tinha o Mazinho como colaborador. Fomos surpreendidos com essa prisão preventiva. Ele é inocente, é uma prisão de um inocente, injusta. Vamos provar isso", afirmou.

Fonte: G1