Ministro da Educação afirmou que as alterações na legislação resultaram na necessidade de 'mudar todos os algoritmos e processos de seleções dos alunos'

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou na manhã desta quarta-feira que o erro na divulgação do resultado do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) foi causado pela dificuldade que a equipe teve em se adequar à nova Lei de Cotas, que admite quilombolas. No mês passado, candidatos tiveram acesso a um primeiro resultado, que estava errado. O ministro afirmou que o caso é investigado e que o MEC realiza mudanças em seus protocolos.

Santana explicou, em entrevista à Rádio Itatiaia, que a inclusão da Lei de Cotas gerou uma série de novos parâmetros e que forçaram o MEC a "mudar todos os algoritmos e processos de seleções dos alunos". O ministro ainda admitiu que o ministério “acelerou” a aplicação da nova legislação, para garantir a admissão de quase 20 mil candidatos, mas isso resultou em problemas.

— Houve um esforço do ministério nesse sentido (de acelerar a inclusão no sistema), mas claro que houve um erro na antecipação da decisão do resultado — disse o ministro.

E prosseguiu: — E gerou toda uma polêmica. Esse fato está sendo investigado, foi aberta sindicância e feito uma mudança importante nos protocolos do MEC para evitar que isso se repita.

Lei de Cotas para Quilombolas

Pela primeira vez, a Lei de Cotas, que antes reservava vagas para pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência nas universidades, inclui quilombolas. A política afirmativa entrou em vigor no Sisu deste ano e permitiu o ingresso de mais de dois mil estudantes remanescentes de quilombos.

Para Adilson Pereira dos Santos, pró-reitor de graduação e integrante do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade Federal de Ouro Preto, a criação de uma categoria específica para essa parcela da população era necessária para uma inclusão mais efetiva nas universidades, porque somente a cota racial não os abarcava.

— A imagem da pessoa quilombola estava associado a aspectos pejorativos. Por isso, ela não tinha essa disposição de se assumir como tal. Para além do benefício direto do indivíduo, outras tantas comunidades poderão se assumir quilombola com base na garantia desse direito — explica.

Para se enquadrar na vaga, os candidatos precisaram preencher uma autodeclaração de pertencimento étnico, com a assinatura de três lideranças da comunidade, além de apresentar uma certidão da Fundação Cultural Palmares com o reconhecimento oficial do quilombo.


Fonte: O GLOBO