Aston Villa, Bayer Leverkusen e Girona tentam derrubar hegemonias locais

Boas campanhas de clubes de menor poderio financeiro na elite das ligas europeias sempre atraem holofotes. Quem não lembra do título do Leicester City na temporada 2015/16 da Premier League, um dos grandes feitos da história do futebol? Passada mais da metade da temporada, algumas dessas histórias têm alimentado sonhos pela taça, especialmente nos casos de Aston Villa (Inglaterra), Bayer Leverkusen (Alemanha) e Girona (Espanha).

Para repetir o conto de fadas que o mundo testemunhou há oito anos, o Villa tem a dura missão de batalhar contra Liverpool e Manchester City, dupla que monopoliza o futebol inglês desde então, além do restante do chamado Big Six — Manchester United, Arsenal, Tottenham e Chelsea —, o turbinado Newcastle e o alto nível das equipes do campeonato nacional mais valioso do mundo.

Desde que o treinador espanhol Unai Emery chegou, em outubro de 2022, no entanto, o Villa passou a ser um dos melhores times do país. Em sua segunda temporada, a campanha de terceiro colocado, com 43 pontos — dois atrás do líder Liverpool e igual ao City —, credencia uma equipe muito forte em casa — melhor mandante, com nove vitórias e um empate — a ser candidata real.

Douglas Luiz é um dos melhores jogadores do Aston Villa — Foto: Adrian DENNIS / AFP

Os destaques em campo vêm dispensando apresentações, como no caso do volante brasileiro Douglas Luiz, um dos melhores na posição no mundo. O artilheiro inglês Ollie Watkins, com nove gols no campeonato, o bom meia escocês John McGinn e o goleiro argentino Dibu Martínez, campeão mundial, são pilares sólidos.

Porém, para bater os dois concorrentes ou mesmo se manter à frente dos demais, é preciso ser praticamente perfeito. Ontem, a equipe tropeçou no Everton, empatando por 0 a 0, assim como deixou pontos escaparem em casa para o vice-lanterna Sheffield United.

O Liverpool vem fazendo uma temporada de reencontro com os seus melhores dias, enquanto o City, que o próprio Villa venceu em uma atuação acachapante no mês passado, mas apenas por 1 a 0, já recuperou o fôlego após um início decepcionante.

Conseguir uma vaga na próxima Liga dos Campeões seria um grande feito para o campeão europeu de 1982, e que é um dos favoritos a vencer a atual edição da Conference League, mas, à essa altura, o sonho do título inglês já passou de mera projeção.

Fim do ‘Neverkusen’?

Nos últimos 11 anos, por mais que parecesse justo ou não, o Bayern de Munique ocupou o trono do futebol alemão. Borussia Dortmund e RB Leipzig falharam em todas as tentativas. Desta vez, o Bayer Leverkusen parece um dos desafiantes mais consistentes.

Após a pausa de inverno, a Bundesliga voltou neste fim de semana com mais uma vitória do líder — sobre o Augsburg, por 1 a 0 —, que chegou a 45 pontos, quatro a frente do atual campeão, que tem um jogo a menos.

Assim como seu compatriota Emery, o ex-jogador e treinador Xabi Alonso chegou ao clube em outubro de 2022, e tem um dos trabalhos de maior destaque no futebol europeu desde então. Em 2023/24, são 26 jogos invicto — 23 vitórias e três derrotas —, o que já é a maior sequência da história do esporte na Alemanha.

Na Liga Europa, a equipe passou com 100% de aproveitamento no grupo e também é uma das favoritas. O atacante nigeriano Victor Boniface vem sendo grande destaque da campanha, com dez gols marcados. Agora, será desfalque por algum tempo por causa da Copa Africana das Nações, assim como o zagueiro Edmond Tapsoba, de Burkina Faso. Mas não faltam destaques, tal qual o meia alemão Florian Wirtz, o lateral esquerdo espanhol Álex Grimaldo e o volante suíço Granit Xhaka.

Xabi Alonso vai se tornando um dos principais treinadores da Europa no Bayer Leverkusen — Foto: LUKAS BARTH / AFP

No entanto, se todos esses títulos são uma realidade cada vez mais consolidada — o Bayer também está vivo na Copa da Alemanha —, é preciso ser perfeito contra um rival acostumado a ser soberano. Liderado agora pelo artilheiro Harry Kane, a equipe de Munique aguarda tropeços do líder. Foi assim que venceu o Dortmund no ano passado, mesmo em uma temporada de desempenho abaixo.

Apelidada pelos rivais de "Neverkusen" — trocadilho com "never", palavra em inglês para "nunca" — por não terem um título alemão, a equipe de Xabi precisa continuar beirando a perfeição para derrubar o maior time do país e, finalmente, colocar esta taça em sua galeria.

Pequeno entre gigantes

Na Espanha, o Girona chegou com tudo. Inicialmente, parecia mais uma nova sensação que não duraria muito entre os gigantes Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid, mas a sequência de bons resultados mostrou que a pequena equipe precisava ser levado a sério. Atual líder de La Liga, tem 49 pontos em 20 jogos — tropeçou no lanterna Almería, empatando por 0 a 0 —, com o Real atrás, com um ponto e uma partida a menos.

Integrante do Grupo City, o time do treinador Míchel chama atenção por seu futebol ofensivo e intenso, que costuma ceder muitos gols, mas produz ainda mais. Não à toa, tem o melhor ataque da competição, com 48 gols.

Dois brasileiros chamam a atenção no elenco, o atacante Savinho e o lateral direito Yan Couto, que já foi até convocado para a seleção brasileira. O grupo ainda tem a experiência do zagueiro holandês Daley Blind, que abraçou o projeto após defender vários clubes de peso do continente.

Yan Couto, do Girona, foi convocado pela seleção brasileira em 2023 — Foto: Pau BARRENA / AFP

Ao contrário das histórias que envolvem Aston Villa e Bayer Leverkusen, o Girona é uma equipe sem tradição, o que surpreende ainda mais. Para derrubar a hegemonia de Real e Barça, apenas clubes como o Atleti tem mostrado capacidade nos últimos anos, em temporadas pontuais. Contudo, o líder já venceu os catalães e a equipe de Diego Simeone nesta edição, e perdeu apenas para os merengues.

Conquistar uma vaga em qualquer liga europeia já seria o máximo, mas, após ter batido Barça e Atleti nesta temporada, o Girona já tem como legítimo o sonho por um histórico título.


Fonte: O GLOBO