Última alfinetada do vereador direcionada ao presidente da nova legenda ocorreu há menos de uma semana, mas críticas vêm pelo menos desde 2016

De saída do Republicanos, Carlos Bolsonaro vai embarcar em breve no PL, partido do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na nova casa, o vereador carioca vai assumir o comando da sigla na capital. A mudança chama atenção sobretudo pelo histórico de críticas de Carlos à legenda, que inclui ataques pessoais a Valdemar Costa Neto, mandatário máximo do PL.

A última alfinetada do vereador ocorreu há menos de uma semana. Em referência a uma entrevista recente de Valdemar com comentários positivos sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que viralizou entre petistas e bolsonaristas, Carlos afirmou, em meio a palavrões, que o PL deveria "bater em Lula", não "elogiar um m... que só faz m...".

Em setembro do ano passado, o filho do ex-presidente também recorreu às redes sociais para defender que o PL estava “nitidamente se passando de fachada”, sugerindo que o partido agia desalinhado ao bolsonarismo. Um dia antes, Valdemar havia dito que o PL votaria a favor da indicação do ministro da Justiça, Flávio Dino, ao Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da sigla voltou atrás após reações da família Bolsonaro, mas o nome de Dino, que assumirá em breve uma cadeira na Corte, acabou aprovado no Senado.

Um mês depois, em outubro, Carlos sustentou que “não existe partido político de direita” no Brasil e criticou “aquela pessoa malandra” que busca “se camuflar e enganar inocentes”. O comentário veio como resposta a um vídeo no qual o youtuber bolsonarista Kim Paim dizia que Valdemar “não gosta da direita” e “é igual ao Lula: liga para ter o poder nas mãos, eleger muita gente, e (que) o partido dele tenha dinheiro”.

A lista de reprimendas do vereador direcionadas ao PL remonta, inclusive, a anos atrás. Em 2021, quando foi anunciado que o então presidente Jair Bolsonaro iria se filiar à legenda para disputar a reeleição, Carlos excluiu de seu perfil numa rede social uma postagem de 2016 com conteúdo negativo sobre o partido — e sobre Valdemar. Na ocasião, ele compartilhou uma reportagem que apontava o suposto recebimento de propina pelo dirigente e pelo PR, sigla utilizada pelo mesmo grupo político por pouco mais de uma década, após fusão com o Prona em 2006.

Carlos também já se irritou com seu atual partido, o Republicanos, por motivos parecidos. Ele se incomodou com a aproximação da legenda com o governo Lula e com a gestão do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), seu adversário.

Em outra ação que desagradou o vereador, o deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), presidente da sigla, entregou a direção da legenda no Rio ao prefeito de Belford Roxo, Waguinho, marido da ex-ministra do Turismo Daniela Carneiro, aliada de Lula. Em julho, Carlos também criticou Pereira por classificar Bolsonaro como “extrema-direita”.

O acordo para que o vereador se torne o dirigente local do PL no Rio foi costurado em reunião com o atual líder municipal, o vice-prefeito Nilton Caldeira. Os dois políticos decidiram de forma consensual e pacífica que Carlos deveria presidir a sigla na cidade, visto que será o principal puxador de votos da legenda em outubro.

Internamente, o PL tem o objetivo de torná-lo o vereador mais votado da capital. Há ainda a expectativa de que Carlos atue nos bastidores como coordenador da campanha do deputado federal Alexandre Ramagem à prefeitura.


Fonte: O GLOBO