Analista prevê alta de 2,9% do setor em 2023 e de 2,7% em 2024

O comércio andou de lado em novembro, com um crescimento de 0,1%, e assim deve fechar 2023 e caminhar pelos primeiros meses deste ano. Apesar da boa notícia apontada pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE, que mostra taxas positivas em seis das oito atividades pesquisadas em relação ao ano anterior, a economista Georgia Veloso, pesquisadora do FGV Ibre, pondera que a base de comparação ainda é muito baixa. Há um sinal de fôlego para o setor, mas ainda longe da recuperação, diz ela. Crescimento de fato, estima, só deve vir no segundo semestre, com a queda da taxa de juros da economia, a Selic, para um dígito.

- O resultado no campo positivo é pouco expressivo, sinalizando que o comércio segue andando de lado, apesar de eventos como a Black Friday, que foi fundamental para o resultado. As altas expressivas, em comparação a novembro de 2022, segmentos como equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (18,6%), móveis e eletrodomésticos (4,5%), tecidos, vestuário e calçados (3%), é preciso lembrar que a base de comparação é baixa. Esses setores são altamente dependentes de crédito e a recuperação só vira com a queda de juros - ressalta Georgia.

Felipe Tavares, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), diz que é preciso observar como a queda de juros da economia se refletirá nos juros das famílias. Tavares destaca que houve uma mudança, no padrão de consumo das famílias que trocaram o consumo de bens duráveis e não duráveis por serviços.

- Nossa expectativa de crescimento para o comércio neste ano, caiu de 2% para 1,8%. Para 2024, a gente também fez o mesmo ajuste de expectativa em 0,2 de 1,8% para 1,6% - diz o economista e acrescenta - A gente sabe que tem uma distância grande da Selic para os juros das operações de crédito, mas a gente está vendo um crescimento do do volume de crédito, do saldo de crédito aí tomado pelas famílias, então isso pode reverter a nossa revisão para baixo ao longo de 2024, se continuar mantendo estável o mercado de trabalho, renda das famílias, com a diminuição da inadimplência.

É essa queda dos juros, somado à à elevação do do saldo de crédito. Tende aí dar 11 aquecida no comércio ao longo do dos do ano, especialmente em bens de bens duráveis e semiduráveis.

Até aqui, o consumo está mais concentrado em bens essenciais, como alimentação, que tem um grande peso no indicador. Na comparação com o ano anterior, o crescimento é de 2,2%. De janeiro a novembro de 2023, a alta é de 1,7%. Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, estima que o setor feche um crescimento de 2,9% em 2023 e ligeiramente menor (2,7%) em 2024.

"Somados ao resultado também positivo do setor de serviços (divulgado ontem), os dados de hoje reduzem a chance de vermos um PIB negativo no quarto trimestre de 2023. Com isso, projetamos que o PIB tenha fechado o ano de 2023 próximo de 3%", afirma Salles em seu relatório em que prevê crescimento de 1,5% da economia neste ano.

O resultado de hoje superou a projeção para o mês de Sávio Barbosa, economista-chefe da Kínitro. O indicador, diz ele, confirma a leitura que o consumo deve seguir resiliente nos próximos meses. O economista manteve a previsão de crescimento zero para o PIB do quatro trimestre.

Igor Cadilhac, economista do PicPay, avalia que o avanço da renda real e a redução no comprometimento de renda e na inadimplência devem contrabalançar um juro real ainda elevado que ainda é um entrave para o crescimento do setor.

"Apesar de todos os setores da atividade econômica (serviços, varejo e indústria) terem apresentado variações positivas na margem, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) deve apresentar um recuo de 0,5% em novembro", destaca Cahihac em seu relatório.


Fonte: O GLOBO