Câmbio paralelo é cotado a 1.070 pesos. Para especialista, quem vai viajar deve trocar moeda no mesmo dólar que usaria sem a mudança

O pacote econômico argentino promoveu uma forte desvalorização cambial, com a cotação oficial do dólar passando de 366 pesos por dólar para 800 pesos. Com isso, o turista brasileiro pode se questionar sobre qual moeda é ideal levar para Argentina.

Mesmo com a desvalorização, o câmbio no país vizinho continua sendo atraente para turistas brasileiros, mas a cotação no paralelo — o chamado dólar blue — deverá ser um ponto de atenção para quem planeja visitar a Argentina.

O dólar blue sempre foi mais vantajoso para o turista devido à grande diferença para a cotação oficial. Antes da desvalorização de 54%, o dólar oficial era negociado a 366 pesos, contra quase 1 mil no paralelo.

Essa diferença, agora, é bem menor, ressalta Lucas Farina, analista da Genial Investimentos. O dólar blue fechou ontem a 1.070 pesos.

— Vai fazendo cada vez menos diferença a decisão de em que casa de câmbio trocar e a que taxa, embora ainda seja uma decisão bastante relevante. No curto prazo, para quem já tinha viagem agendada para esse período, provavelmente a pessoa deve continuar trocando no mesmo dólar que ela trocaria caso não tivesse havido mudança de governo — diz Farina.

Ele ressalta que a medida do governo de reduzir a diferença entre a taxa de câmbio oficial e a paralela faz parte do esforço para atrair dólares e ampliar as reservas cambiais, hoje no campo negativo.

— Este deve ser um movimento que ocorrerá ao longo do tempo, em vez de buscar uma unificação das taxas de câmbio de imediato. Isso poderia gerar estresse no mercado e levar a uma desvalorização cambial desordenada. É mais fácil ser uma convergência lenta — afirma Farina.

Na Argentina, as operadoras de turismo relatam incerteza dos clientes com relação às férias de verão.

— É um momento de muita incerteza, por não estar definida toda a política cambial — disse ao jornal La Nación Tomas Novick, fundador da rede de agências de viagem TravelConnect.

Pablo Aperio, diretor da agência Travel Services, ressalta que tanto as operadoras como as companhias aéreas estão tendo de alterar seus sistemas para a nova cotação oficial, o que pode atrasar algumas reservas de passagens.

Ele ressalta, porém, que muitas pessoas se anteciparam, de olho nas eleições presidenciais.


Fonte: O GLOBO