Pastora do Republicanos e vice-presidente do PT lideram ranking de deputados federais com mais faltas não justificadas no plenário em 2023

Seja no campo da direita, do centro ou da esquerda, a 57ª legislatura da Câmara dos Deputados encerra o seu primeiro ano de atividade com exemplos negativos de assiduidade nas sessões plenárias. Levantamento feito pelo GLOBO, com base em dados fornecidos pela Casa legislativa, aponta que os deputados Antônia Lúcia (Republicanos-AC), Washington Quaquá (PT-RJ), Olival Marques (MDB-PA), Vicentinho Júnior (PP-TO) e Jadyel Alencar (PV-PI) foram os que tiveram o maior número de faltas não justificadas.

Em um ano marcado por votações da pauta econômica, como a reforma tributária e o arcabouço fiscal, mas também por dificuldades do governo Lula no Congresso, a Câmara contabilizou 115 sessões legislativas em 2023, e apenas 17 dos 513 deputados federais compareceram a todas elas. Entre os parlamentares mais “caxias” estão o ex-presidente do PT e atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, Rui Falcão (PT-SP), e Antonio Brito (PSD-BA), líder do partido e da recém-criada bancada negra.

No topo do ranking dos que mais faltaram ao trabalho na Casa em 2023, a pastora e deputada Antônia Lúcia, mulher do também deputado e presidente da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso, Silas Câmara (Republicanos-AM), acumulou 23 ausências não justificadas. Ao GLOBO, Antônia respondeu, por meio de assessoria, que a maior parte de suas faltas decorreram de sua “saúde frágil” e compromissos políticos no Acre.

Já o ex-prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, que ocupa a segunda colocação, somou 20 faltas. O petista afirmou ao GLOBO que “não é apenas no plenário que um representante do povo trabalha” e que dedica seu mandato à articulação política “em favor do Rio de Janeiro” e frentes parlamentares, o que exige o cumprimento de agendas fora de Brasília, além de “organizar na prática as relações do Brasil com a América Latina, Caribe e África”.

Em maio, Quaquá participou de uma missão oficial em Cuba, enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofria uma de suas principais derrotas do ano na Câmara, como registrou O GLOBO. Na ocasião, os parlamentares suspenderam trechos de um decreto presidencial que atualizava a lei de regulação do saneamento básico. Quaquá chegou a marcar presença à distância, mas não votou contra a derrubada de parte do texto do governo. Pouco depois, o vice-presidente do PT também viajou para Foz do Iguaçu (PR) em meio à aprovação do marco temporal de terras indígenas, nova derrota do governo Lula na Casa.

Fecham a lista dos cinco mais ausentes ao longo de 2023 os deputados federais Olival Marques (16), Vicentinho Júnior (15) e Jadyel Alencar (14). Os dois primeiros não responderam aos questionamentos do GLOBO sobre o número de faltas nas sessões.

Alencar disse, por meio de assessoria, que as faltas se deram por “problemas de saúde” e por “compromissos pontuais com a base no estado que impediram o parlamentar de estar em Brasília”. O deputado destacou que reside em Teresina (PI) e que há pouca oferta de voos para a capital federal.

Na Câmara, há diferença entre as ausências justificadas e não justificadas. Um deputado pode ser abonado de uma falta para realizar atividades políticas importantes em seu estado de origem ou representar a Casa em viagens internacionais, por exemplo, desde que comprove essas agendas.

Se a “gazeta” não for fundamentada, ele tem o salário descontado no valor equivalente ao número de dias em que não apareceu para trabalhar. Hoje, tal hipótese é rara, visto que os parlamentares podem acompanhar as sessões na Câmara remotamente e marcar presença pelo celular. Ainda assim, há os que deixam de bater ponto. Nenhum dos cinco deputados mais ausentes explicou por que motivo as ausências não foram justificadas.

A lista dos 16 mais faltosos é composta majoritariamente por parlamentares de siglas da base do governo do presidente Lula. Há apenas duas exceções: Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que teve 13 ausências, e Magda Mofatto (Patriota-GO), que acumulou 12.

Projetos em pauta

O deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP) lidera a lista de parlamentares com maior número de propostas de autoria própria neste ano, seguido por Gilson Marques (Novo-SC), Altineu Côrtes (PL-RJ), Capitão Alberto Neto (PL-AM) e Sargento Portugal (Podemos-RJ). Entre os 20 deputados mais ativos neste quesito, 13 pertencem à base governista e sete são de oposição.

Não existe um número mínimo ou máximo de projetos de lei que cada deputado tem de apresentar durante o mandato. Assim, pode acontecer de um nome passar em branco neste quesito. Segundo dados da Câmara, os parlamentares Wolmer Araújo (Patriota-MA) e Douglas Viegas (União-SP) foram os únicos a não apresentarem projetos neste ano. Ambos assumiram os cargos na última quinzena de dezembro.

Dados compilados pelo GLOBO indicam que nomes como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a ex-ministra do Turismo de Lula Daniela do Waguinho (União-RJ) e o ex-candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB-MG) estão entre os 20 parlamentares com menos projetos apresentados.


Fonte: O GLOBO