No Brasil, fenômeno começou por volta das 15h e terminou às 17h30 de sábado (no horário de Brasília)

Apesar do mau tempo em muitos estados, o eclipse solar anular começou por volta das 15h, e terminou às 17h30 (no horário de Brasília). Cada cidade pelo mundo teve uma visibilidade diferente, conforme a trajetória do fenômeno. A maioria da população no Brasil conseguiu observar o fenômeno, mesmo que parcialmente.

O último eclipse do tipo havia ocorrido em junho de 2021, mas, na ocasião, não esteve visível para os brasileiros. A próxima oportunidade será daqui a quase um ano, em 2 de outubro de 2024, mas só poderá ser notado no extremo sul da América e também em áreas do oceano Pacífico.

Em 17 de fevereiro de 2026, quando Lua, Terra e Sol voltam a se alinhar, apenas moradores da Antártica devem conseguir acompanhar o efeito. Já em fevereiro de 2027, a expectativa é que moradores do Chuí, no Rio Grande do Sul, tenham essa chance.

No mapa abaixo é possível ver como o eclipse se apresentou em cada estado:

Como cada estado vai enxergar o eclipse solar anular? — Foto: Brasil em Mapas/Time and Date

De acordo com o Observatório Nacional brasileiro, o fenômeno de 2023 chegou ao seu fim na costa leste do Brasil pelas 17h30.

Quando um eclipse solar anular ocorre, algo semelhante a um anel de fogo surge no céu. No entanto, quem quiser observar o eclipse não deve olhar diretamente para o sol sem uso de filtros adequados.

Sombra da Lua

Imagens divulgadas pela Nasa mostram a sombra projetada pela Lua sobre o Brasil durante o eclipse solar anular, neste sábado.

O registro feito pelo satélite mostra o momento em que o eclipse passa sobre o Norte e o Nordeste do Brasil, locais que tiveram melhor visualização do evento. Também é possível ver que a região Sul, onde o eclipse foi parcial, aparece menos escura:

Sombra do eclipse solar anular sobre o Brasil — Foto: Nasa

Por que não é seguro olhar para o eclipse solar?

Ao portal do Observatório Nacional, a astrônoma Josina Nascimento explica que usar um telescópio, por exemplo, pode trazer danos imediatos e irreversíveis. Segundo ela, somente é possível observá-lo com um telescópio apropriado, que tenha o filtro adequado, e sob supervisão de profissionais. Outra forma seria a observação indireta.

— É bem fácil construir um aparato. Pode-se simplesmente usar um pedaço de papelão, como uma tampa de caixa de pizza, e fazer um furo no meio. Coloca-se um papel branco no chão e direciona-se o papelão para a direção do Sol. O eclipse é visto tranquilamente no papel no chão. Há uma série de construções interessantes para a observação indireta.

O astrônomo Marcelo Zurita, diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros, explicou ao GLOBO que o perigo da observação a olho nu não está no eclipse, mas sim no Sol. Isso porque a estrela emite tanta luz e radiação que pode queimar a retina.

— Na prática, o que acontece é que a nossa córnea funciona como uma lente, que vai concentrar a luz solar lá no fundo da nossa retina. Assim como acontece se a gente pegar uma lente ou lupa para aquecer um ponto, queimar uma folha de papel, é a mesma coisa que acontece com a nossa retina: ela vai ser queimada pela luz.

Segundo ele, a exposição contínua à luz solar provoca feridas na retina — e, dependendo do caso, elas podem infeccionar e levar à cegueira. Por isso, o astrônomo recomenda não olhar diretamente para o Sol de maneira geral, e não apenas quando houver eclipses.


Fonte: O GLOBO