Atualmente filiado ao PSB, Paulo Brant deve disputar o comando da capital mineira sem o apoio de seu antigo aliado, de quem reclama por não 'ter sido tratado de maneira republicana e ética'

Rompido com Romeu Zema desde que se desfiliou do Partido Novo, em 2020, o ex-vice-governador de Minas Gerais Paulo Brant (PSB) tem novo impasse marcado com o seu antigo aliado: as eleições municipais do ano que vem. Em entrevista ao GLOBO, Brant afirmou que deve se candidatar à Prefeitura de Belo Horizonte — disputa em que ao menos três concorrentes almejam o apoio do chefe do Executivo mineiro.

O cenário para a capital ainda é incerto, já que o atual prefeito, Fuad Noman (PSD), ainda não definiu se irá concorrer à reeleição. Além do PSD, o possível pré-candidato do PL, Bruno Engler, e o ex-deputado estadual João Leite (PSDB) já manifestaram interesse em estar no palanque com Zema.

Uma certeza, no entanto, é de que não será Brant. Em 2020, ele deixou o Novo alegando que o partido se recusava a formar uma coalização política para aprovar projetos na Assembleia Legislativa.

Ao ser questionado sobre a corrida de 2024, Brant afirma que o PSB tem insistido em seu nome. Para isso, tem articulado, por exemplo, junto a Alexandre Kalil (PSD), que já comandou a capital mineira. Sobre ser oposição ao candidato de Zema, o ex-vice diz não ver problema:

— Será um embate respeitoso, eu não comungo dessas estratégias de ofensa, acho um desserviço. Pensamos diferente, é apenas uma divergência de visão mundo.

Nos últimos anos, a rixa entre Zema e Brant cresceu. O atrito mais recente ocorreu no pleito do ano passado, quando, mesmo de dentro do Palácio da Liberdade, o então vice-governador resolveu concorrer por uma chapa adversária, a do candidato Marcus Pestana (PSDB).

Já no segundo turno das eleições presidenciais, vice e governador também divergiram. Enquanto Zema endossou a reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Brant apoiou Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele relata que, diante dessa decisão, ficou isolado no governo:

Geraldo Alckmin e Paulo Brant — Foto: reprodução

— Segui sendo vice-governador, mas sem participar da parte política, pois me afastei do núcleo. Quando entrei na chapa do Pestana, o simples fato de não apoiar o governador fez com que praticamente dissolvessem a vice-governadoria. Precisava ter sido tratado de maneira republicana e ética — afirmou.

Atualmente, o ex-vice avalia que o fluxo de Zema com a Assembleia melhorou, já que, segundo ele, o governador se dispôs a empenhar emendas e dialogar com o atual presidente da Casa, Tadeuzinho (MDB), diferentemente do conflito aberto que teve com Agostinho Patrus (PSD) no passado.

— A postura pragmática ainda é pouco, impede de agir em camadas mais profundas da sociedade. Esse tipo de base movida apenas pelo interesse de emendas e pequenos favores gera uma base sem alma — disse o ex-vice-governador.


Fonte: O GLOBO